03 julho 2011

2011.07.02 - De Vimieiro a Estremoz

45 km num dos percursos mais belos e isolados que alguma vez percorri de bicicleta. 

Devido ao cansaço e ao pouco tempo, o post anterior foi muito "frio", pelo que hoje vou começar por agradecer ao grande parceiro deste projecto, a Movefree que apoia incondicionalmente este projecto. Desta vez cedeu novos pneus, equipamento e calçado, que revelaram ser uma mais valia pelo conforto e segurança que proporcionam. Agradeço ao António Soares da Junta de Freguesia de Vimieiro, que foi incansável no acompanhamento a este ciclista, e até pela facilitação de pernoita em sua casa.

A saída do Vimieiro fez-se passando pelo centro histórico, pelas 07:00h. A estas horas da manhã, o cheiro a campo estimula-nos a imaginação e enche-nos os pulmões de energia e ar puro.

Em direção a norte, um estradão em boas condições leva-nos para longe da vila, em direção aos montes do Alentejo. Em fundo, a vila que fica para trás

Com o novo equipamento da Movefree, e a Poderosa equipada com os novos pneus de secção larga e rasto misto, percorro paisagens alentejanas de cortar a respiração

Para orientação, nada melhor que ligar o Magalhães e ver os "tracks" nas imagens de satélite. O MG 2 continua a ser um companheiro de grande fiabilidade deste projecto.

Quilómetros de trilhos e caminhos por entre sobreiros e oliveiras, com passagem por zonas de crista de montes, pontos altos que nos mostram a verdadeira orografia deste Alentejo quente e seco.

Estradões de acesso rural com ZERO tráfego automóvel permitem-nos desfrutar da natureza, sem receio de acidentes rodoviários. Por aqui, só os coelhos nos assustam, quando à nossa passagem se lembram de cruzar a estrada

Num ponto baixo atravessamos uma ribeira que ainda com 10 cm de água lembra-nos que alguns destes caminhos fáceis de percorrer no Verão, poderão ser verdadeiros trilhos de BTT com lama no Inverno

É frequente no Alentejo os proprietários colocarem cercas nas passagens de forma a garantir que os animais de pasto não fujam das suas pastagens. Alguns, por consideração e segurança, colocam elementos de grande visibilidade para que ciclistas vejam bem os arame farpado sem se magoarem. Para continuar a marcha, basta abrir a cerca, passar a bicicleta e voltar a fechar a cerca. Uma solução de compromisso entre espaço privado e espaço público

Hora da bucha. A mala com os painéis solares da BioFutureHouse a servir de mesa para o queijo, bolos, pão e fruta que isto de pedalar cria "buracos" no estômago que têm de ser preenchidos. Homem prevenido vale por dois e quem vai para o mar avia-se em terra. Comida e muita água, são sempre uma presença nos meus alforges

Descanso, descanso e mais descanso

Alguns dos caminhos percorridos por outras pessoas que me cederam os seus trilhos de GPS não são utilizados com frequência, e por vezes as natureza toma conta do solo e temos de desbravar ervas.

Um pouco de asfalto antes do meu destino final, Estremoz. A foto, regista o termómetro a marcar 42ºC pelas 13:30h. Coisa normal por estas bandas, que se compensa com os 4 litros de água consumidos durante a viagem

"Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz" é uma das frase menos compreendidas que oiço com frequência. Na Cidade Branca do Alentejo fui muito bem recebido o ano passado, na volta dos "100 dias de bicicleta em Portugal" e hoje a história repetiu-se. Jorge e Fátima Gambutas, os meus anfitriões  em 2010 nesta cidade, voltaram a superar-se na hospitalidade e até me convidaram para o jantar de S. João dos militares do Regimento de Cavalaria 3.

O local da sardinhada, no jardim da messe de sargentos do RC3 de Estremoz.

Umas belas entradas à alentejana: feijão frade, choquinhos fritos e queijo com chouriço. O tintol claro, era de Estremoz

Próxima etapa: Estremoz a Elvas
Boas pedaladas.
Paulo Guerra dos Santos

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